28/11/2019 – Consumo
Você é um Prosumidor?

A cultura participativa vem transformando a vida das pessoas nas suas relações profissionais, pessoais, com os poderes públicos, com a mídia e também com as empresas e as marcas. Castells nos lembra que “a abertura da arquitetura da internet foi a fonte de sua principal força: seu desenvolvimento autônomo, à medida que usuários tornaram-se produtores da tecnologia e artífices de toda a rede” (2003, p.28).

A despeito do envolvimento ou não das grandes corporações midiáticas mundiais nas transformações em curso, é possível observar uma mudança de atitudes significativa dos consumidores, que modificaram suas relações com as empresas, com as marcas e com a publicidade. Manovich (2009) destaca que passamos da era do consumo midiático de massa para a era da produção cultural de massa com as mídias digitais, até há pouco tempo chamadas também de “novas mídias”.

Hoje, encontramos, na internet, uma série de vídeos, gifs, memes, dentre outros conteúdos alusivos a marcas, empresas e produtos, divulgando, muitas vezes, aspectos diferentes daqueles apresentados pelas publicidades institucionais. Marcas globais, nacionais e locais lidam, na atualidade, com discursos variados criados pelos prossumidores, destacando atributos pouco lisonjeiros dessas, como, por exemplo, a prática e divulgação de ideias machistas, racistas e segregadoras de toda ordem.

Sem dúvida, o fenômeno das mídias sociais e da geração de conteúdo pelos internautas reconfigurou as relações entre amadores e a indústria das mídias. O prossumidor é este sujeito que, agora, não somente consome informações como faz questão de produzi-las e disseminá-las na rede, numa retroalimentação constante, que só amplia o big data.

Dentro desse contexto, a cultura dos fãs, por exemplo, sinaliza uma nova forma de atuação política e está inserida no movimento contemporâneo do prossumerismo. “Os efeitos politicos dessas comunidades de fãs surgem não apenas da produção e circulação de novas ideias, mas também pelo acesso a novas estruturas sociais (inteligência coletiva) e novos modelos de produção cultural (cultura participativa)” (JENKINS, 2008, p.314)

Os conceitos de cultura participativa, “novas mídias” (agora já não tão novas assim), cocriação e prossumerismo emergiram com força na primeira década do século XXI e se consolidaram na segunda década em curso. Em 2019, quase 2020, rumo ao terceiro decênio do século, é impossível qualquer ator social ignorar essas demandas sociais potencializadas pelas mídias digitais, as quais apontam para transformações irreversíveis nos campos da propaganda, da mídia, do marketing e do consumo.

 

Referências

 CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.

JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Editora Aleph, 2008.

MANOVICH, Lev. Software takes command. Disponível em: www.softwarestudies.com/softbook.

Izabela Domingues

Publicitária e professora permanente do PPGCOM/UFPE. Doutora e mestre em Comunicação Social pela UFPE. Pesquisadora membro da LAVITS – Rede Latino-americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Unicamp/CNPq) e do grupo de pesquisa Publicidade nas Novas Mídias e Narrativas do Consumo (UFPE/CNPq). Fundadora da Consumix Brands&Trends, consultoria de gestão de marcas e tendências de consumo embarcada no Porto Digital. E-mail: izabeladom@hotmail.com

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