14/07/2020 –
Tecnologia inclusiva e inclusão tecnológica

Você já ouviu falar em tecnologia inclusiva ou inclusão tecnológica/digital? Será que existe alguma diferença entre esses termos? Apesar de parecerem ser a mesma coisa, os termos possuem suas particularidades. Então, que tal analisarmos mais especificamente cada um?

A Tecnologia Inclusiva ou Tecnologia Assistiva engloba dispositivos, métodos e tratamentos que ajudam a promover assistência, reabilitação e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência. Desse modo, esse tipo de tecnologia visa a minimizar ou eliminar as barreiras dessas pessoas auxiliando-as no desempenho de funções que antes não conseguiriam ou tinham grande dificuldade em realizar, com isso permitindo uma maior independência e autonomia.

Já a Inclusão Tecnológica, também chamada de Inclusão Digital, é a expressão dado ao processo de democratização do acesso às tecnologias da informação, que permite a inserção de todos os cidadãos no universo digital. O indivíduo incluído digitalmente tem a possibilidade de produzir e difundir o conhecimento, além de conseguir se comunicar de forma rápida com outros indivíduos.

Porém, a tecnologia, apesar de abrir novos domínios de inclusão e acessibilidade, pode também se tornar um meio de exclusão e privilégios. Ao mesmo passo em que promoveu o acesso a informações e trouxe diversos benefícios para a sociedade, a tecnologia também construiu uma espécie de barreira entre os que têm acesso ou não a esse meio.

Seja pela diferença social ou pela falta de acessibilidade para quem tem algum tipo de deficiência, algumas camadas da população ficaram carentes da tecnologia e dos benefícios que ela traz. E é aí que vem a importância do papel da inclusão digital e da tecnologia inclusiva, afinal, ambas são formas de democratizar a tecnologia e deixá-la acessível ao maior número de pessoas.

O próprio meio tecnológico, principalmente a internet, já é uma forma de democratizar conhecimento e oportunidades. Porém, o nosso país ainda se encontra em uma posição não muito satisfatória, quanto ao nível de internet inclusiva, como demonstrado no levantamento feito pela The Economist Inteligence Unit em parceria com o Facebook, chamado The Inclusive Internet. O estudo demonstra que o Brasil está em 31º lugar geral.

No Brasil, considera-se que a inclusão digital e a tecnologia inclusiva caminham a passos lentos. Mesmo com iniciativas do governo federal, como o programa “Computador para Todos”, o qual subsidia computadores e notebooks com acesso à Internet para as classes mais baixas da população e computadores adaptados para as pessoas com deficiência. Porém, iniciativas como essas ainda não são suficientes para que se afirme que há uma democratização digital satisfatória em nosso país.

É importante esclarecer que a democratização digital pode ser realizada pelos governos ou pelas parcerias com empresas de diversos setores, não apenas da tecnologia. A atuação das empresas nesse processo de auxílio na democratização da tecnologia, corrobora ativamente para acelerar a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Além do que a tecnologia assistiva e inclusão social são formas de causar impactos positivos no país e no mundo.

Buscar iniciativas de Responsabilidade Social Empresarial, por exemplo, é uma maneira de começar a pensar nos impactos sociais que a sua empresa pode trazer. Por isso, é de extrema importância que todos trabalhem juntos no desenvolvimento de meios e alternativas que visem a minimizar as limitações e ampliar o acesso à tecnologia para todos. Assim, iremos ter uma sociedade mais justa, inclusiva e poderemos alcançar uma democratização digital satisfatória.

Mayara Paiva

Estudante do curso de Direito da Faculdade Católica Imaculada Conceição do Recife - FICR. Pesquisadora Jr da PlacaMãe.Org_.